Ensino Remoto de Emergência vs. EaD: Desafios e Oportunidades na Gestão Escolar
O fechamento das escolas brasileiras em meados de março devido à pandemia de Covid-19, trouxe muitos desafios e obrigou as instituições a elaborar e implementar soluções de ensino remoto de maneira emergencial.
As ações de contingência, adotadas em diferentes velocidades e formatos, tentam garantir o mínimo de continuidade de atividades escolares, preservando o possível no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes em todo o país.
Ultrapassada esta primeira fase, na qual se viu uma grande profusão de iniciativas, é necessário olhar com mais atenção para as soluções adotadas e refletir sobre como aprimorá-las para atender melhor aos estudantes. Também vale a pena identificar oportunidades que a situação emergencial pode ter gerado.
Avaliando o avanço da curva de contágio da Covid-19, torna prudente considerar que o ensino remoto pode se tornar um ponto de apoio fundamental para a reabertura das escolas, viabilizando o rodízio de turmas e o ensino híbrido, o que reforça a noção de que é preciso aprimorá-lo constantemente.
Alguns conceitos sobre o ensino a distância
Como o desafio imposto pela pandemia à educação é global, pesquisadores buscaram caracterizar de maneira aprofundada a situação vivida pelos sistemas educacionais, visando contribuir para a tomada de decisão por parte dos gestores.
Em um dos textos mais referenciados, publicado na revista acadêmica Educause Review, Charles Hodges e outros autores conceituam o termo ensino remoto de emergência:
“O ensino remoto de emergência é uma mudança temporária da entrega de instruções para um modo de entrega alternativo devido a circunstâncias de crise. Envolve o uso de soluções de ensino totalmente remotas para instrução ou educação que, de outra forma, seriam ministradas pessoalmente ou como cursos combinados ou híbridos.”
Especialistas apontam que o ensino remoto de emergência não pode ser confundido com Educação a Distância (EaD), que resulta de um design e planejamento instrucionais cuidadosos, usando um modelo sistemático de desenvolvimento.
Modalidades do ensino Remoto
O Parecer CNE 05/2020 estabelece que as atividades pedagógicas não presenciais podem acontecer por meios digitais (videoaulas, plataformas virtuais, redes sociais, e-mail, blogs etc.); via programas de TV ou rádio; pela distribuição de material didático físico; e pela orientação de pesquisas e projetos.
Ações para evitar a evasão escolar
O provável aumento de índices de evasão escolar tem sido apontado como uma das principais consequências desse período. O desafio de manter os alunos engajados é grande e exige ações específicas.
Algumas ações podem ser tomadas pelas instituições para evitar a evasão escolar:
- Assegurar o acesso de todos os estudantes às atividades de ensino remoto propostas;
- Realizar um acompanhamento constante da participação e entrar em contato com os alunos não participativos;
- Manter os canais de comunicação abertos com famílias via telefone, WhatsApp, aplicativos escolares ou plataforma AVA;
- Envolver os pais no engajamento dos filhos nos estudos como parceiros fundamentais;
- Desenvolver uma checagem diária com cada aluno, dando atenção especial aos mais vulneráveis.
Dificuldades e o surgimento de oportunidades
Mesmo por trás de tantas dificuldades, sempre existem oportunidades. A situação de crise revelou a capacidade de resposta das instituições. É fundamental diversificar as experiências de estudo, que podem apoiar na criação de uma rotina positiva para crianças e jovens.
Considerando a imprevisibilidade do isolamento, é preciso haver uma mudança de olhar por parte dos gestores escolares: não focar apenas no conteúdo, mas principalmente no cuidado com os vínculos e na escuta atenta aos professores e alunos.
A tecnologia e a conectividade representam a oportunidade de fazer uma transformação na educação brasileira, tornando-a mais democrática e equitativa. Com a tecnologia se tornando fundamental para a continuidade do ensino, o uso de um sistema de gestão escolar eficiente se torna essencial para organizar processos e garantir que nenhum aluno fique para trás.
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