Diretrizes do CNE: Como a Educação Brasileira se Organizou durante a Pandemia
O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as diretrizes para orientar escolas da educação básica e instituições de ensino superior durante o período de emergência sanitária. O documento traz orientações e sugestões para todas as etapas de ensino, da educação infantil à superior, com o objetivo de orientar estados, municípios e escolas sobre as práticas que devem ser adotadas.
As pautas centrais envolvem a reorganização do calendário escolar e a validação de atividades não presenciais como horas letivas, visando minimizar a necessidade de reposição presencial integral e manter o fluxo de aprendizagem dos estudantes.
Para repor a carga horária, o CNE sugere a utilização de períodos como recesso escolar, sábados e a reprogramação de férias, além da ampliação da jornada escolar diária. Também foi autorizado o cômputo de atividades não presenciais via meios digitais, videoaulas, plataformas virtuais, redes sociais, rádio e televisão, ou material impresso entregue aos responsáveis.
Recomendações por Etapa de Ensino
Educação Infantil
A orientação para creche e pré-escola é que os gestores busquem uma aproximação virtual dos professores com as famílias. O foco deve ser o estreitamento de vínculos e sugestões de atividades, considerando que as crianças pequenas aprendem e se desenvolvem prioritariamente por meio do brincar.
Ensino Fundamental (Anos Iniciais)
Sugere-se o uso de roteiros práticos e estruturados para que as famílias acompanhem as atividades. É importante ressaltar que os familiares não substituem o professor; o papel dos adultos deve ser o de organizar a rotina diária e mediar o contato com as propostas pedagógicas.
Ensino Fundamental (Anos Finais) e Ensino Médio
Nesta etapa, onde os alunos possuem mais autonomia, as atividades não presenciais podem ter mais espaço. A supervisão de um adulto pode ser feita por meio de planejamentos, metas e horários de estudo, com forte apoio em vídeos educativos e roteiros de pesquisa.
Ensino Técnico e Superior
A recomendação é ampliar a oferta de atividades não presenciais e criar condições para que cursos presenciais se organizem temporariamente na modalidade a distância, incluindo a realização de estágios de forma virtual, quando possível.
Educação de Jovens e Adultos (EJA)
As medidas devem considerar as condições específicas de vida e trabalho desses estudantes, buscando harmonia entre a rotina laboral e os estudos durante o período de exceção.
Educação Especial
As atividades devem garantir acessibilidade e inclusão. É fundamental o suporte dos profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE) para a adequação de materiais e elaboração de planos de estudo individualizados, sempre em parceria com as famílias.
Educação Indígena, do Campo e Quilombola
As escolas podem ofertar estudos dirigidos e atividades integradas às comunidades, respeitando o projeto pedagógico e consultando os conselhos específicos de cada localidade para garantir que os direitos de aprendizagem sejam atendidos.
Avaliação e Calendário
As avaliações e exames de conclusão do ano letivo devem levar em conta os conteúdos efetivamente oferecidos aos estudantes, considerando o contexto excepcional. O objetivo central é evitar o aumento da reprovação e do abandono escolar.
As decisões finais sobre o cumprimento do calendário cabem a cada estado e município, respeitando a autonomia dos sistemas de ensino, mas sempre focando no desenvolvimento das competências e habilidades previstas na BNCC.
Fonte: Portal MEC
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